Estudos de Caso

Agricultura regenerativa em escala

Image: ©️ rukawajung / stock.adobe.com

Grupo Balbo Agricultura regenerativa em escala

Visão Geral

O desafio: os métodos industriais tradicionais de cultivo dependem de pesticidas e fertilizantes caros e geralmente levam à degradação natural.

Solução: a fazenda desenvolveu seu próprio equipamento de colheita com pneus de baixa pressão para evitar a compactação prejudicial, que corta simultaneamente a cana e fragmenta os coprodutos, devolvendo-os ao solo.

O que o torna circular: a agricultura regenerativa, que emula os processos naturais, visa fechar os ciclos de nutrientes, devolvendo a matéria orgânica à biosfera, melhorando o solo e evitando a necessidade de produtos químicos caros.

Benefícios: uma eliminação completa de insumos químicos, dispensa a irrigação mecânica e traz aumento de 20% na produtividade.

Emulando os processos naturais

O vice-presidente executivo do Grupo Balbo, Leontino Balbo Junior, apostou que a restauração dos processos naturais e a modificação de máquinas com vistas a regenerar o ecossistema poderiam reavivar lavouras e terras deterioradas, além de aumentar a lucratividade.

Balbo ingressou na empresa familiar após se formar como Engenheiro Agrônomo em 1986. Logo percebeu que o método de colheita usado na época, que dependia da queima da palha de cana antes da colheita, era incompatível com as técnicas agrícolas tropicais modernas que ele acabara de estudar. Esses métodos convencionais se concentraram principalmente na extração da colheita, inibindo processos naturais que são cruciais para a saúde do solo e a resiliência de longo prazo, como cobertura morta, húmus e redes microbianas e fúngicas.

Ele decidiu buscar novos métodos para colher a cana verde. Esses métodos mostraram uma compreensão mais profunda do funcionamento dos sistemas naturais, enfatizando a importância da realimentação e fortalecendo a capacidade de regeneração do solo. O objetivo era reconstruir o capital natural em vez de esgotá-lo.

"Não nos preocupamos muito com a colheita em si – cuidamos do ecossistema como um todo"

- - Leontino Balbo Junior

Como regenerar um ecossistema

Essa ambição levou Balbo a desenvolver um novo sistema de produção e colheita abrangente e viável, que ele chamou de Agricultura Revitalizadora de Ecossistemas (ERA). Essa iniciativa aplica os princípios da agricultura regenerativa em conjunto com inovações técnicas para replicar o ecossistema regenerativo e resistente das terras não cultivadas.

O grupo desenvolveu a primeira colheitadeira de cana brasileira em parceria com um fabricante local. A máquina corta a cana em pedaços que são depositados em uma tremonha, onde correntes opostas de ar arrancam as folhas e as pulverizam no chão, devolvendo ao solo 20 toneladas por hectare de material orgânico a cada ano que até então não era aproveitado. Isso restaura os nutrientes e forma uma cobertura morta que ajuda a reduzir as ervas daninhas e evita a evaporação da água.

Para reduzir a dependência de insumos artificiais caros e potencialmente prejudiciais, os fertilizantes químicos foram substituídos por um exclusivo Programa Integrado de Fertilização Orgânica. Os pesticidas foram substituídos por um sistema natural de manejo de pragas e doenças, que utiliza variedades naturalmente resistentes das culturas, um programa de controle biológico e métodos de controle cultural para inibir pragas e ervas daninhas.

A compressão é outra ameaça potencial à vitalidade do solo, pois os equipamentos agrícolas convencionais compactam a terra e prejudicam a aeração, a penetração da água e a saúde microbiana. O Grupo Balbo desenvolveu uma solução de baixa tecnologia, porém eficaz, usando pneus de alta flutuação que são parcialmente desinflados antes que os veículos sejam levados aos campos.

Em um esforço para valorizar todos os fluxos de materiais, foi implantado um sistema para reciclar coprodutos orgânicos. Os resíduos sólidos da filtração do suco, as cinzas das caldeiras e os resíduos líquidos deixados após a destilação do etanol foram todos coletados, aplicados de volta aos campos e a matéria seca foi usada para alimentar diretamente um forno, produzindo 200 toneladas de vapor por hora.

Além das práticas e tecnologias agrícolas, os trabalhadores foram treinados e obtiveram habilitações para assumir posições mais altamente qualificadas no novo programa de produção. Fora da fazenda, a conscientização do consumidor foi reforçada por meio de demonstrações em supermercados, com animações que mostram aos clientes os benefícios da ERA.

Balbo não viu melhorias da noite para o dia. Na verdade, foram necessários muitos anos de iterações antes que a cana se tornasse mais forte e a ERA começasse a provar seu valor. Balbo explicou em 2012:

"Na Native [marca agrícola do Grupo Balbo], nosso sistema de produção alcança uma produtividade 20% maior que a produção convencional de cana-de-açúcar, com interesse genuíno por fatores ambientais, sociais e econômicos. É a primeira vez que uma iniciativa orgânica de larga escala produz um rendimento maior que a agricultura convencional!"

Sua história ilustra como as empresas que visam uma economia circular geralmente precisam mais do que apenas recursos e conhecimentos técnicos: precisam também se comprometer com uma visão e acreditar que a jornada valerá a pena.

Prosperidade nos negócios e no meio ambiente

Agora, a empresa dele está prosperando. Anualmente, a Native produz 93 mil toneladas de açúcar orgânico – 15,5% do mercado mundial e um número que Balbo planeja aumentar de acordo com a demanda – e 12 mil m3 de etanol orgânico a partir de uma safra de aproximadamente 1,2 milhão de toneladas de cana. Seu açúcar é vendido nos cinco continentes e usado (74 países). O Grupo Balbo produz 100% da energia necessária para processar cerca de 6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano em usinas termelétricas movidas a bagaço de cana (o resíduo de polpa que sobra após a extração do suco da cana).

Além disso, graças ao seu investimento em tecnologia de ponta, a Balbo gerou energia extra suficiente para abastecer uma cidade de 476 mil habitantes. Indicadores de sustentabilidade foram definidos com as principais universidades e centros de pesquisa para avaliar a saúde do solo na fazenda, incluindo sua fertilidade e os níveis de água, ar e biodiversidade, e proporcionam evidências claras de que a atividade agrícola é regenerativa. Algumas medições são menos precisas, mas não menos importantes: a fazenda possui um nível de biodiversidade superior a 50% do encontrado nos parques nacionais de São Paulo, provando para Balbo que um ecossistema próspero e monocultura podem coexistir.

Para o Grupo Balbo, a inovação é um processo contínuo. Com o objetivo de encontrar uma solução que possa ser amplamente utilizada na agricultura, lançou recentemente um projeto para construir um protótipo de um robô de controle de ervas daninhas 100% autônomo. Balbo explica: "Isso pode evitar o uso de pesticidas não só na agricultura orgânica. Os benefícios para a humanidade e o planeta podem ser enormes". Para disseminar as práticas e tecnologias da ERA, foi criada uma empresa de transferência de tecnologia, a Agros Fortis, permitindo que os agricultores paguem para aplicá-las em suas terras. De acordo com Balbo: "Acho que é meu dever divulgar essa expertise e espero que isso ajude a aplicar nossas descobertas a outros campos e outras culturas. Espero que a Native seja vista como um exemplo do que pode ser alcançado no futuro, como uma prova viva de que tudo é possível".

We have detected that you are using an older browser. Please update to the latest version of Google Chrome, Mozilla Firefox or Microsoft Edge to improve your user experience.

If you are unable to upgrade your browser, please see our Technical FAQ page to get tips on how to improve your user experience.